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Atualizações de rede / Cartagena, Colômbia / 2025/08/08

Quando o ar não é seguro:
A história de asma de Sheila na Colômbia

Cartagena, Colômbia
Shape Criado com o esboço.
Tempo de leitura: 2 minutos

Por Sheila Estrada, 22, Colômbia

Desde que me lembro, sempre visitei pneumologistas e alergistas, procurando uma solução para uma condição que parecia não ter fim. Quando somos crianças, não entendemos muitas coisas, e eu vivia confusa, tentando entender o que havia de errado comigo. Não me lembro da minha vida sem asma, mas me lembro daquela bolsa no meu quarto cheia de inaladores. Também me lembro das visitas aos hospitais porque não conseguia respirar, sem entender o que estava acontecendo comigo. Os hospitais, os médicos e aqueles exames em que tive que prender a respiração após inalar salbutamol ficaram gravados na minha mente. Depois de sair dos hospitais, eu sempre me perguntava: Serei uma "menina normal"? Naquele momento, tudo o que eu conseguia pensar era que todas as outras crianças poderiam brincar, correr e rir, enquanto eu as observava de longe, porque se eu corresse, não conseguiria respirar.

Lembro-me também de visitar muito a casa da minha avó, um lugar cheio de amor, mas onde também enfrentei outro grande problema: a queima constante de folhas de árvores e resíduos plásticos. Na Colômbia, infelizmente, é muito comum queimar muitos hectares de árvores e suas folhas, especialmente em áreas rurais e pequenas comunidades. Esse hábito gera uma fumaça densa, carregada de partículas tóxicas e poluentes que afetaram seriamente meus pulmões. A fumaça dificultava minha respiração e me deixava cada vez mais perto de uma crise de asma, o que significava que meus pais tinham que agir rapidamente para encontrar um lenço úmido para cobrir meu rosto e evitar que minha condição piorasse. Lembro-me desses momentos com medo e angústia, mas também com gratidão pelo cuidado da minha família. Essa realidade se somou à luta constante que eu já tinha com minha saúde e me fez sentir ainda mais vulnerável.

Anos depois, mudei-me para Cartagena, na Colômbia. Vivia em duas casas, ambas perto de uma rodovia. Minhas crises de asma aumentavam sem saber por quê, e dia a dia eu dependia mais do montelucaste e, se não funcionasse, usava o inalador, pois já sabia o que tomar devido a muitos anos da minha infância. Só consultava médicos, mas sempre esperava que a condição desaparecesse sozinha. Hoje ainda estou esperando por ajuda; sou Sheila Vanessa Estrada Mesa e convivo com asma e alergias desde que me conheço por gente. Estudo em uma área industrial perto da maior refinaria da Colômbia e perto de empresas muito grandes onde, segundo a segundo, uma grande quantidade de compostos tóxicos são emitidos para a atmosfera, afetando principalmente a população vulnerável, incluindo pessoas asmáticas como eu.

A poluição do ar não prejudicou apenas meus pulmões – também me ensinou o quão vital é proteger o meio ambiente e lutar por um ar mais limpo e saudável. Não apenas para mim, mas para todos que, como eu, convivem com essa realidade desde a infância. Aquela bolsa de inaladores carregava mais do que apenas remédios; ela continha minha história, minha luta e minha esperança por um futuro onde respirar não seja um privilégio, mas um direito.

Estudo em uma área industrial próxima à maior refinaria da Colômbia e perto de empresas de grande porte onde, a cada segundo, uma grande quantidade de compostos tóxicos são lançados na atmosfera, afetando principalmente a população vulnerável, incluindo pessoas asmáticas como eu.

Sheila Vanessa Estrada Mesa, 22, Colômbia

O ar que respiramos não é seguro