Para Jobod Silk, um jovem ativista climático na República das Ilhas Marshall, os impactos das mudanças climáticas não são hipotéticos – são profundamente pessoais.
Jobod ainda se lembra da primeira vez que sentiu a força da mudança climática. Quando tinha 10 anos, uma forte tempestade inundou o quintal da casa de sua família, a água chegando aos seus joelhos, depois que um navio colidiu com o paredão.
Nesta nação insular de baixa altitude, casas como a de Jobod estão cada vez mais expostas à elevação do nível do mar, inundações costeiras e fortes tempestades.
“Senti muito medo, muita preocupação e ansiedade”, recorda. Foi o momento em que compreendeu pela primeira vez a enormidade do impacto que a crise climática está a ter nos países insulares do Pacífico – vivenciando em primeira mão o preço que a incerteza cobra à saúde mental das pessoas.
Esse medo é algo que muitos jovens nas Ilhas Marshall – e em todo o Pacífico – agora carregam consigo.
Esse medo engloba a ansiedade de perder seus lares e o medo ainda maior de perder sua identidade. Na cultura das Ilhas Marshall, assim como em grande parte do Pacífico, a terra é mais do que um lugar – ela representa história, pertencimento e cultura.
Como Jobod pergunta: "Se formos forçados a partir, quem poderemos chamar de nós mesmos?"

Tecendo a tradição para o futuro.
No centro da história deste jovem está sua avó, Cradle Alfred, que lhe deu o nome de "Jobod" – uma ferramenta usada para preparar folhas de pandanus para tecelagem. A avó de Jobod moldou sua compreensão da cultura e tradição das Ilhas Marshall.
Foi por meio dela que ele aprendeu a importância de preservar tradições como a tecelagem e a contação de histórias – expressões vitais da identidade marshallesa. Hoje, ele teme que as mudanças climáticas ameacem não apenas a terra, mas também a sobrevivência desse conhecimento cultural.

Apesar da incerteza que as mudanças climáticas trazem, existe determinação. Como coordenadora de jovens da organização sem fins lucrativos Jo-Jikum, das Ilhas Marshall, e como ativista climática internacional, Jobod trabalha para capacitar os jovens a fazerem ouvir as suas vozes.
Sua jornada no ativismo começou por meio da arte, quando ele coescreveu uma música durante uma oficina sobre o clima, o que o ajudou a processar suas experiências. Agora, ele incentiva outras pessoas a usarem a criatividade para transformar a ansiedade em ação.
“Os jovens não se veem como vítimas”, explica ele. “Eles se veem como agentes de mudança.”

Nas Ilhas Marshall e em todo o Pacífico, cada vez mais jovens estão se manifestando, buscando força em seus mais velhos e ancestrais. Jobod descreve isso como uma canoa: a juventude remando para frente com energia, guiada pela sabedoria daqueles que vieram antes.
Para Jobod e muitos como ele, o futuro vale a pena lutar. Ele vislumbra umas Ilhas Marshall onde a próxima geração possa continuar a viver, respirar e experimentar a sua terra natal como ele fez.
Por meio de sua voz, sua arte e seu ativismo, ele está ajudando a construir um futuro onde isso continue sendo possível.
Fortalecimento de parcerias para a resiliência climática
A saúde mental é um risco para a saúde cada vez mais reconhecido, associado às mudanças climáticas, uma vez que a crescente incerteza e as perturbações impõem uma pressão emocional adicional sobre os indivíduos e as comunidades.
Impactos na saúde mental, como estresse, depressão e ansiedade, podem ser desencadeados por reassentamentos relacionados ao clima, eventos climáticos extremos, incerteza, perda de meios de subsistência e aumento de doenças sensíveis ao clima.
Na sua Saúde mental e alterações climáticas: resumo políticoA OMS apela a uma ação mais enérgica, instando os países e áreas de toda a região a melhor integrarem o apoio à saúde mental nos esforços de resposta às alterações climáticas, a envolverem as comunidades nas soluções, a consolidarem os compromissos existentes e a investirem mais recursos para garantir que as pessoas sejam apoiadas e estejam mais bem preparadas para os desafios que se avizinham.
A OMS está apoiando projetos que fortalecem os sistemas de saúde resilientes às mudanças climáticas por meio de investimentos em infraestrutura, desenvolvimento de políticas e capacitação de profissionais de saúde e comunidades.
Nas Ilhas Marshall, o Ministério da Saúde e Serviços Humanos, com o apoio da OMS e financiamento do Fundo Verde para o Clima (GCF), está implementando o Projeto para fortalecer a resiliência dos sistemas de saúde às mudanças climáticas e pandemias emergentesEsta iniciativa está avaliando os riscos atuais à saúde relacionados às mudanças climáticas e fornecendo recomendações para ações de adaptação.
Todas as imagens: © OMS / Chewy Lin